05/03/2018 | 11:35

Fernanda de Quixeramobim

Quixeramobim: tempo atrás, ali fui ao encontro dos alunos de um curso promovido pela UVA e o Instituto Dom José de Educação e Cultura. As turmas eram coordenadas por Fernanda Severo, uma jovem que, por coincidência, também fora aluna de uma das turmas.

Cheguei aos alunos depois de receber a informação de que eles tinham recorrido ao Ministério Público na esperança de escaparem à obrigação de realizarem os trabalhos de conclusão de curso.

A pretensão, em si, um tanto esdrúxula, até que podia ser entendida no contexto de outras tantas reivindicações que fecundavam a mente novata de alunos pouco afeitos ao rigor dos estudos superiores. No caso em tela, tanto o Ministério Público quanto o representante do IDJ se abstiveram de reações peremptórias e escolheram o caminho do diálogo para estimular a aceitação dos alunos.

Para tanto, contou-se com a contribuição da jovem Fernanda. Ela, demonstrando serena maturidade, foi a primeira a assumir uma postura que ajudou a dirimir o conflito e a promover o sentimento de adesão às normas próprias da graduação em curso.

Se me volta, hoje, esse fato, anos depois de ocorrido, é porque acabo de receber em Fortaleza Fernanda Severo em pessoa. Ela teve a delicadeza de vir falar de sua evolução pessoal no campo da educação e do seu envolvimento com projetos de desenvolvimento municipal em comunidades do Sertão Central. Lembrou o encontro em Quixeramobim como um momento de iluminação para perceber o sentido acadêmico das exigências legais e repassar para os colegas o entendimento de que o curso, ali realizado, no chão do município, podia constituir um primeiro passo para ir além: à pós-graduação, ao mestrado, quem sabe, ao doutorado.

Hoje, aqui veio para falar de sua aprovação com louvor para realizar, na UECE em Fortaleza, o sonho de um mestrado na área de saúde. Falou também de seu empenho em transmitir a seus atuais alunos e a ex-colegas o entendimento de que cada um pode levar adiante seu sonho pessoal em resposta a demandas percebidas, na terra natal, ou mesmo em outros municípios do amplo sertão.

Ao relembrar experiências vividas, demonstrou uma sua preocupação: a de que seus atuais orientadores e professores do mestrado, concordem, durante o curso, em acatar o seu desejo pessoal de incluir no seu trabalho de pesquisa as lições por ela apreendidas em uma escola rural de sua Quixeramobim.

Escrito por: José Rosa Abreu