Empresa Simples de Crédito – Jornal O Globo

15 de maio de 2019
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‘É o crédito olho no olho’, diz Guilherme Afif, idealizador da Empresa Simples de Crédito

Assessor do ministério da Economia, ele defende que o microcrédito vai chegar a locais que não são atendidos pelo sistema bancários
RIO – Um dos idealizadores da Empresa Simples de Crédito, o assessor do ministério da Economia, Guilherme Afif Domingos, disse que a facilidade será sentida aos poucos pelos empresários. Ex-presidente do Sebrae, ele lembra que há 30 anos tenta a aprovação da matéria, que foi vetada duas vezes pelo Banco Central.
Qual foi a reação à sanção da Empresa Simples de Crédito?

É uma coisa tão inovadora que as pessoas vão começar a perceber aos poucos. Agora, é preciso desamarrar a cabeça e isso começa por meio de um trabalho de divulgação, que será feito pelo Sebrae. Mas foi recebido muito positivamente, principalmente por quem tinha factoring que nunca havia sido regulamentada.

Quem vai usar este crédito?

Por exemplo, uma pessoa que abriu um salão de beleza e precisa comprar um equipamento que custa R$ 3 mil. Se for na loja comprar, não tem financiamento. Mas ela consegue se for comprar uma televisão: são até 36 meses para pagar. O sistema financia consumo, não financia a produção.

É uma reação à concentração bancária?

Não estou inventado nada, só estou voltando ao século passado, o famoso crédito na caderneta, que era o crédito ‘olho no olho’. Quero fazer o microcrédito chegar aos mais longínquos rincões do país e ajudar no desenvolvimento local. Hoje, o crédito é um fator de concentração espacial e de renda. O crédito concentra, não distribui. Por isso, a ideia, embora seja um simples e antiga, é um pouco revolucionária.

O senhor tenta esta aprovação há muito tempo…

Eu tento há 30 anos. O Banco Central vetou duas vezes. O Ilan (Goldfajn, ex- presidente do Banco Central), com quem sempre tive um bom relacionamento, enxergou que a concentração bancária no Brasil estava um absurdo e que estava na hora de buscar alternativas. A criação da ESCs foi fruto de um acordo honrado pelo Banco Central e a Receita Federal.

O senhor acredita que haverá uma reação do setor bancário?

O banco não consegue chegar lá (nessas localidades). O que acho que vai acontecer é que vai haver um mobilização do bancos de apoiar a ESC para ser correntista dele. E, assim, poderá levar seus produtos aos lugares mais distantes.

Isto não seria uma legalização da agiotagem?

É a concorrência com a agiotagem . A agiotagem já é oficializada com os juros do cartão de crédito e do cheque especial, que chega a 340% ao ano.

Fonte: O Globo

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