Fihavanana ou o Papa na África

Integrar sistemas naturais com sistemas sociais.

Em sua 31ª viagem apostólica, que o levou a três países na África e no Oceano Índico, o Papa Francisco dirigiu palavras de vida e esperança às populações de Moçambique, Madagascar e Maurício. Ao citar valores culturais da região, destacou o espírito de partilha, a espontânea amizade entre pessoas e grupos, assim como o bom relacionamento entre todos e de todos com a natureza.

Em Madagascar, tomou de empréstimo a palavra de seu antecessor, São Paulo VI para quem “o desenvolvimento de uma nação não se reduz a simples crescimento econômico: para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer promover todos os homens e o homem todo”, como indicado na encíclica
Populorum Progressio.

Foi além. Lembrou que não se pode falar em desenvolvimento integral sem atentar para o cuidado com a Casa Comum. Não basta preservar os recursos naturais, mas buscar “soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os respectivos sistemas sociais. A verdade é que não se trata de duas crises separadas: uma ambiental, outra social; mas de uma única e complexa crise socioambiental” (Laudato si) .

Em cada país visitado, o Papa estimulou o aperfeiçoamento das relações entre os membros da sociedade. E no que respeita a atenção aos mais pobres, sugeriu iniciativas para que a voz de quem não a tem se torne cada dia mais audível, e ninguém seja deixado de lado a caminhar sozinho ou perdido. Só assim haverá nos países e na região o advento de verdadeira fraternidade nutrida pelo espírito da fihavanana que sintetiza e consolida na região os traços que emergem da alma do povo e ao povo voltam para fecundar e fortalecer a sociedade.

O Papa Francisco, ao falar no cuidado com a Casa Comum, referiu-se à biodiversidade vegetal em que as florestas estão ameaçadas pelos incêndios, a caça furtiva, o corte indiscriminado de madeiras preciosas. Trata-se de práticas perversas que lamentavelmente ampliam o desmatamento vegetal e o abate da vida animal. Isso no crescente benefício de poucos e no progressivo prejuízo de muitos.

Em Madagascar, o Papa Francisco encerra o seu discurso afirmando ser preciso proceder de forma que a ajuda fornecida pela comunidade internacional não seja a única garantia do desenvolvimento local; há de ser o próprio povo que assumirá progressivamente o seu controle, tornando-se artífice do seu próprio destino.