Em defesa da vida

Dar um basta à ação predatória

“ Ok, as razões do dinheiro não podem superar as razões da vida.” Estas palavras resumem a posição daqueles que, em consonância com os ensinamentos do Papa Francisco, levantam a voz em defesa da Amazônia, do meio ambiente e das populações indígenas.
O Papa repercute o clamor mundial, contrário, por um lado, à destruição do vasto patrimônio humano, ambiental e econômico e, favorável, por outro, ao indispensável esforço humano para dar um basta definitivo às atividades predatórias capazes de produzir danos irreversíveis ao ciclo das águas, do carbono, da regulação do clima, da biodiversidade e da sócio diversidade que constituem dádivas ofertadas à humanidade pela Amazônia.
Pessoas comprometidas com a missão de associar a justiça e a paz levantam mundo afora sua voz em favor da região. E a voz que proferem pede que se cuide com responsabilidade dos bens disponibilizados pelo Criador em benefício da humanidade.
Estas pessoas alertam para o fato de que a destruição das florestas pode traduzir-se em solos rasos e pobres, incapazes de dar sustento, por tempo prolongado, a atividades econômicas tais como a pecuária, a agricultura e outras tantas formas de subsistência.
O Papa Francisco, no livro Laudato SI, lembra que os recursos da terra estão sendo depredados também por causa das formas algo imediatistas de entender a economia e as atividades comerciais e produtiva.
A perda de florestas e bosques implica simultaneamente a perda de espécies que poderiam constituir, no futuro, recursos extremamente importantes não só para a alimentação, mas também para a cura de doenças e vários serviços. As diferentes espécies contêm genes que podem ser recursos-chave para resolver, no futuro, algumas necessidades humanas ou regular alguns problemas ambientais.
Deve-se, além disso, destacar que o subsolo amazônico tão rico em toda uma pluralidade de minérios (petróleo, ouro, ferro, nióbio e outros) não deixa de ser cobiçado por muitas mineradoras de diferentes grupos econômicos, para os quais a preservação da floresta é tida como empecilho.
No contexto atual tenso e agressivo de lidar com os problemas em causa, tanto no plano nacional quanto internacional, é indispensável tudo fazer para manter uma atitude de respeito à Constituição e à soberania nacional.
Sem deixar de respeitar também as populações indígenas e a sua imemorial sabedoria, a qual constitui testemunho perene de que devemos aprender a trilhar o caminho do respeito e da fidelidade à vida de todos.

Por José Rosa