Patinho feio

Há dias que você acorda querendo vestir-se apenas com o seu avesso. Esse que nem todo mundo conhece. Porque o seu avesso não tem o cabelo sem jeito, nem uma espinha enorme no rosto, nem os olhos vermelhos, nem os lábios ressecados e nem a barriga saliente. Por um breve instante você se olha no espelho e não gosta do que vê. 

E tenta convencer a si mesmo que o lado de dentro é bem mais bonito. 

Mas daí você percebe que é um todo. Que o seu interior está ligado com o seu exterior. Como numa orquestra, sua composição é feita de corpo e alma. E no meio disso tudo está a sua autoestima. Por vezes abalada, fragilizada, insegura, principalmente diante da sociedade dos likes, dos closes e dos filtros. 

Os corpos estão cada vez mais fitness e as faces harmonizadas. Mas e a mente e o coração?

Ainda não encapsularam a alta autoestima. Não dá para comprar na farmácia mais próxima. Mas insistem em nos exigir estar bem o tempo todo com o nosso corpo e nossa mente. E por mais desconstruídos que sejamos, tentando fugir de rótulos e padrões, tem dias que não dá. Cabe então um processo de compreensão, seja de você com você mesmo e do outro com você.

Seja de dentro para fora, ou de fora para dentro, entender-se é fundamental.

Lembre-se: ninguém é perfeito! E você é feito de defeitos e qualidades. Então não enxergue apenas as suas imperfeições. Não, não é fácil e muitas vezes a própria sociedade não colabora, mas é preciso. Tem dias que você irá acordar se sentido o patinho feio e haverá outros que você despertará se sentindo o próprio cisne. E tudo bem. 

No final de tudo não há uma fórmula certa, ou bula, ou tutorial. A vida está mais para um ensaio. Aprender diariamente a aceitar-se – corpo e espírito.

 

Por André Luís.