Debate sobre eólicas offshore

Ocorre no Ceará um debate público acerca da instalação, no Estado, da nova indústria de energias renováveis a serem geradas por projetos de usinas eólicas no mar. Esses projetos implicam na construção de torres de captação eólica offshore, ou seja, no mar, com necessidade de autorização do IBAMA.

O potencial dos ventos do Ceará é conhecido mundo afora, desde que o Estado se transformou em point do kitesurfe mundial e foi o primeiro a receber parques eólicos no país, no início da década passada. Hoje, o modelo da produção offshore é amplamente utilizado na Europa, mas, no Brasil, essa indústria ainda não existe.

No momento, há seis projetos para geração de energia offshore aguardando aprovação de licenças no IBAMA. A metade deles destina-se ao Ceará, sendo dois deles os mais antigos na tramitação.

Segundo o Secretário do Meio Ambiente do Estado, Arthur Bruno, o modelo offshore é bem menos invasivo do que os parques terrestres, gerando uma energia limpa, conforme o desejo das Nações Unidas. Por outro lado, o Secretário de Turismo do Estado, Arialdo Pinho, tem restrições às instalações offshore, a não ser que sejam instaladas bem distantes da costa. Segundo ele, essa indústria poderá impactar negativamente áreas conhecidas do turismo cearense e, até mesmo, prejudicar a prática do kitesurfe.

Cabe ao cearense e aos técnicos do IBAMA procurar perceber o que é razoável para nosso Estado. A nossa costa é longa e poderá abrigar muitas dessas indústrias. Além do mais, não dispomos de usinas hidrelétricas para produção de energia e temos urgência em reduzir as termelétricas que são caras e poluentes.

Nesse debate, urge que professores e universitários se envolvam, percebam as nossas necessidades e apontem soluções adequadas. A falta de percepção correta dos assuntos gera muitas vezes crises e prejuizos desnecessários.

Pedro Henrique Antero